A cada dia é maior o burburinho de que vários moradores da conhecida “Favela do Matarazzo/Esmeralda/Alvim Algarve”, comunidade humilde entre os bairros Estação e Palmeiras, na Zona Sul de Votuporanga, têm demonstrado a sua frustração, indignação e até a organização de um ato de protesto contra o projeto das casas apresentado para o chamado Programa de Desfavelamento, amplamente divulgado pelo setor de marketing da Prefeitura nos últimos dias. A insatisfação dos moradores se manifesta principalmente por terem sido constatadas mudanças no que foi apresentado nas inúmeras reuniões nos últimos anos com representantes de governos municipais, face à realidade que agora se apresenta para a construção das 185 moradias.
As principais críticas apresentadas por moradores que a reportagem teve acesso ocorrem devido à informação de que as casas serão germinadas. Isso significa que cada moradia será ligada à outra, separada do imóvel ao lado por paredes. Também há indignação sobre o tamanho do terreno das casas.
A reclamação é de que a chamada “testada” dos terrenos, que é o comprimento da parte da frente, foi anunciada anteriormente em 10 metros, mas será menor. Terá na verdade 7,5 metros de comprimento, com 150 metros quadrados de terreno.
Outra queixa é que, ao contrário do que muita gente pode pensar, as casas do programa de desfavelamento não serão entregues “de graça”, mas cada morador deverá cumprir as regras do programa CDHU. Por conta disso, alguns moradores ameaçam, inclusive, dizer “não” para sair da favela por conta dos valores das mensalidades aplicadas pela companhia de habitação, que são em 20% do orçamento familiar.
Há relatos de pessoas que se estabeleceram naquela comunidade há muitos anos, justamente pelas condições de vida humilde, que conquistaram o seu “pedacinho de chão”, mas que temem deixar para trás as moradias em que estão estabelecidas para mudar para as casas do programa, onde não sabem se conseguirão honrar o compromisso do valor das parcelas. Muitas, inclusive, sobrevivem por meio de benefícios assistenciais.
Manifestação política
Um dos primeiros a alertar publicamente sobre o assunto foi o vereador Jurandir Benedito da Silva, o Jura (PSB), durante fala na tribuna na última sessão da Câmara Municipal. Jura afirmou ter ido ao local com moradores que se mostraram insatisfeitos com o projeto das casas.
“É uma testada pequena. Digo isso porque em reuniões que já acontecem há anos, as lideranças políticas sempre informaram aos moradores que a testada seria de 10 metros. Mas, o que eles mais reclamam é que são casas germinadas. Portanto, no local será impossível haver janelas e maior ventilação. A insatisfação é generalizada”, diz Jura que afirmou fazer a ligação entre as críticas e a Prefeitura para tentar resolver os impasses.
Outro vereador que se manifestou foi o parlamentar de oposição pelo PRD, Cabo Renato Abdala. Ele disse estar ciente de todas as queixas e do drama das famílias, prometeu mobilizar esforços para ajudar, mas criticou a falta de clareza do que, segundo ele, foi divulgado pela Prefeitura em relação aos fatos, na realidade. “Estive no local e realmente fiquei extremamente preocupado com o que a Prefeitura oferece aos moradores depois de tantas promessas. As casas são muito pequenas. Para ter uma ideia, eu deitei onde será um dos quartos de uma casa para medir. Tenho 1,80 de estatura e quase não consegui deitar no espaço do quarto. Imagino a dificuldades que famílias, principalmente com crianças, terão para se acomodar. Sigo acompanhando e cobrando por providências.”
Conclusão das obras em 18 meses
A Prefeitura de Votuporanga tem divulgado que a previsão de conclusão da obra das 185 moradias do Conjunto Habitacional “Thui Seba” é de 18 meses “tornando assim, realidade o sonho da casa própria para famílias das regiões do Matarazzo, Esmeralda, Alvim Algarve e Olímpio Formenton, se consolidando em uma grande conquista aguardada há mais de 50 anos e proporcionando uma vida mais digna”, segundo nota à imprensa. No local também serão construídas, em até 60 dias, duas casas modelos para serem visitadas pelos futuros moradores.
A área onde serão construídas as casas já recebeu toda a infraestrutura necessária como obras de drenagem, guias, sarjetas, asfalto e estrutura de iluminação. A Prefeitura também abriu a nova Rua Luiz Vanzella que dá acesso ao Conjunto Habitacional, passando por trás da antiga Colônia da Fepasa.
Fonte: Megavotu


